Jul
16
Gulag
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Nos anos pavorosos do terror de Yezhov, passei dezessete meses esperando na fila do lado de fora da prisão de Leningrado. Um dia, alguém na multidão me identificou. Em pé atrás de mim, estava uma mulher, de lábios azulados de frio, que, é claro, nunca antes me ouvira ser chamada pelo nome. Agora, ela de repente saía de nosso torpor habitual e me perguntava num sussurro (ali, todo o mundo sussurrava): “A senhora consegue descrever isto?”
Respondi que conseguia.Nisto, algo semelhante a um sorriso passou rapidamente pelo que um dia fora seu rosto…
- Atina Akhmatova, “À guisa de prefácio: réquiem, 1935-40″
***
Nikolai Ivanovitch Iejov (ou Yezhov), chefe do NKVD entre 1936 e 1938, um dos principais e mais cruéis executores dos expugos stalinistas. A mando de Stalin, foi fuzilado por Lavrenti Beria – que o sucedeu na chefia do NKVD – em fevereiro de 1940.
Link da imagem.
Feb
13
O Caso Kravtchenko
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Do livro, L’Affaire Kravtchenko, de Nina Berberova:
História do processo – Um dos membros da Comissão Soviética de Compras à Crédito enviado aos Estados Unidos em 1943, havia decido não voltar para a União Soviética. Em abril de 1944 ele rompeu com Moscou e depois escreveu e publicou um livro onde expunha as razões desta ruptura. Ele falava da vida na URSS, da política agrícola de Stalin, dos tecnocratas e dos velhos bolcheviques.
(…) O jornal Les Lettres Françaises iniciou uma campanha difamatória contra ele, insultando-o e insinuando que o autor do livro era um fascista hitleriano. Contudo, para muitos, e para mim mesma, o cerne da questão estava na existência de campos de concentração na União Soviética, que finalmente chegava ao conhecimento de todos e recebia uma larga divulgação. [CONTINUE A LER]
Sep
4
Um debate levantado pelo jornal inglês The Guardian procura saber quem são os culpados pela 2º Guerra Mundial, além de Hitler, claro. Tudo aponta para Stalin. Vale lembrar que há hoje na Rússia uma campanha propagandista para recuperar a imagem do ditador – encabeçada pelo primeiro-ministro-imperador Vladmir Putin.
Em resposta ao debate, o menino de recados de Putin – e nas horas vagas presidente do país – Dimitri Medvedev, disse que: “(…) no fim das contas, Stalin salvou a Europa do nazismo”.
Interessante, Stalin é o grande herói da 2º Guerra. Por outro lado os alemães só não invadiram Moscou porque o front aliado, desembarcando nas costas francesas, já tinha dedicado duros golpes aos nazistas. Sem contar com a fracassada campanha na África, em que Hitler perdeu muitos homens e tornou-se uma presa fácil aos Aliados.
Em verdade, o exército russo nunca prestou pra nada, senão fuzilar, nos gulags, pobres inocentes desarmados que não tinham a mínima condição de se defender. Não à toa os russos gastaram mais dinheiro com a KGB influenciando guerrilhas e massacres de terceiros do que enfrentando adversários em combate. [CONTINUE A LER]
Mar
11
Ligeiras impressões: A música de uma vida, de Makine
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A música de uma vida, de Andrei Makine – Cia das Letras, publicado em 2001 com tradução de Eduardo Brandão.
Aberto aleatoriamente na página 75, narram os dois primeiros parágrafos da página:
Stella veio encontrá-lo, ficaram instantes espiando o furor branco além dos vidros. Ao entrar, ela havia fechado a porta, e era abafada pelo corredor interminável que chegavam até eles a voz da mãe chamando a empregada: “Vera, passe o pano de chão na entrada, esse motorista encheu todo de neve outra vez”. Stella fez uma careta, esboçou um movimento como se tivesse querido pegar aquelas palavras no ar, depois se inclinou subtamente para Aleksei, sentado, a xícara de chá nas mãos, e o beijou. Ele sentiu os lábios dela na testa, na marca da cicatriz… No corredor, ouvia-se o esfregar do pano no chão do assoalho.
Na manhã seguinte, ele partia com o general, que ia inspecionar várias guarnições no Norte.
Jan
30
Bandidos comuns
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Veja como são as coisas. Battisti um dia deve ter tido orgulho dos assassinatos que cometeu. Um dia achou que estava certo nas suas convicções, mas hoje nega. Não tem mais orgulho de ter matado pessoas em nome de Lênin, Stalin ou qualquer outro ditador homicida.
No entanto, da mesma forma são os terroristinhas de 64. Companheira Estela não faz plásticas apenas para mudar o focinho, também as faz para mudar as versões de seus crimes. Como Battisti, não tem mais orgulho de ter assaltado bancos e participado dos “justiçamentos”, que eram nada mais do que matar pessoas. Agora, ela se limita a dizer que entregou os comparsas porque foi “torturada”. Da mesma forma que um traficante ou assaltante entrega a quadrilha assim que é capturado pela polícia. [CONTINUE A LER]










