Aug
23
A arte que reflete a vida
Postado em ligeiras impressões, literato | 2 Comentários
Nas últimas três décadas, as artes serviram tão-somente para fins políticos. Deposto o Regime Militar, foi preciso uma mudança conceitual para justificar, portanto, a existência de um artista. Assim, a arte política, graças a um giro linguístico, virou arte engajada. Tal mudança se fez somente pelo fato de não ser mais preciso derrubar um governo, mas incluir os excluídos numa nova percepção de mundo. A questão é que fora sonegado o sentido mesmo da cultura, nada mais do que a expressão natural de um povo, daquilo que ele percebe de si.
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Mar
30
Sobre o teatro
Postado em ligeiras impressões | 2 Comentários
Ainda busco uma melhor ideia para definir a utilidade do teatro. Mas, definitivamente, é bastante fácil encontrar um motivo para a sua inutilidade. O ator fala, dirigindo-se às mãozinhas tensas com uma voz ressonante, movimentando-se bruscamente de forma padronizada e, pior, com uma postura pedante, ridiculamente chata. Este é atualmente o responsável pela transição do texto ao público, aquele que tem a função de materializar uma personagem cuja vida é limitada pelo papel, sem forma, particularidades ou uma integral vida psíquica.
Mas o que realmente torna o teatro chato, pedante e inútil? [CONTINUE A LER]
Aug
18
Diálogos
Postado em literato, poesias | 4 Comentários
Uma singela brincadeira com trechos de uma conversa sobre Poesia com mais uma daquelas pessoas que a vida, naqueles instantes de divina inspiração, nomeou para cruzar o meu caminho.
I
– Geralmente, Diogo, defende-se a poesia como a possibilidade literária de se fugir da razão e dar lugar às emoções. Tenho para mim que isso abre margem para viagens imaginativas que podem, futuramente, trazer muito desalento, muita solidão. Repare como os poetas são pessoas que sofrem. A meu ver, é porque embora explodam em sensações, mudando de estado psicológico rapidamente, pulando entre emoções antagônicas, não se esforçam para analisar esses sentimentos e acabam por distanciar-se da realidade. Posso, claro, estar exagerando.
– De forma alguma, Raphael. Concordo com você quanto à fuga da realidade, é um perigo que se corre. Mas eu tento encarar a poesia – e mesmo as artes – como uma conexão direta com a realidade. Mesmo que de uma forma ainda incipiente, que se sente e, ainda diante de todas as evidências, não se consegue explicar. Aí está o contexto artístico, que é transformar em palavras – esculturas, pinturas, ou o que seja – as coisas inexplicáveis, usando alusões, metáforas, etc. Mas sempre com os pés na realidade, porque mesmo o que se sente, de alguma forma existe, embora não seja algo acessível a quem não sente. O Pessoa diz num de seus versos que o poeta é um fingidor, mas talvez estivesse sendo irônico. Só se tem o que escrever quando há um sentimento real, que é percebido, que está claro como o sol, mas ainda faltam palavras que possam comunicar. [CONTINUE A LER]
Mar
26
A Ciência e a negação da realidade
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Assisti – com um pouco de atraso, é verdade – ao debate sobre o aborto, que foi ao ar domingo à noite (22/03) na Rede Bandeirantes, entre o professor de teologia da PUC-SP, Antonio Marchionni, e o médico baiano especialista em Reprodução Humana, Elcimar Coutinho. A priori, manifestou-se a total ignorância dos jornalistas em relação ao tema debatido. E a inépcia se aprofundava a cada uma das suas intervenções. Mas acredito que a qualquer ser razoável, tal fato já deixou de ser objeto de espanto. Basta assistirmos ou lermos os noticiários para constatarmos que tal despreparo se dá em qualquer tema, e não só quanto adentram a ambientes complexos da Filosofia, da Religião, da Ciência e também dos fundamentos jurídicos. [CONTINUE A LER]
Jan
25
The dream is over
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Van Halen: The Dream is Over, For Unlawful Carnal Knowledge, 1991.
Fazia tempo que não ouvia esta música e, agora com meus ouvidos mais apurados para o inglês, percebi que expressa alguma coisa sobre o momento pelo qual passamos (ou pelo menos eu passo).
“Oh, we’re the lost generation,
Have no place to go,
The road to destruction,
Is all we need to know,
Cause it’s a rip-off,
We’re stripped, drawn, and cheated,
We’re flat stone cold lied to
But we’re not defeated, nooo, sir”
Além da sensação nostálgica, o Van Halen é um bom exemplo de que grandes mudanças, baseadas em surradas idéias, podem foder com tudo. A quem não perdeu o precioso tempo – e um pouco da audição – na juventude, me refiro a David Lee Roth.










