Nov
7
Revista Panorama Editorial
Ano 3 – nº34 – set. 2007.
Artigo em homenagem ao poeta Bruno Tolentino, publicado na revista Panorama Editorial, revista da Câmara Brasileira do Livro.
A vida é curta; a arte é longa*
Sêneca dizia que a vida não é exatamente curta. Assim parece quando a desperdiçamos com bobagens que não nos permitem distinguir o bom do ruim. Ela é suficientemente longa quando bem empregada, quando se busca construir algo atemporal, eterno. É neste caminho que encontramos a poesia de Bruno Tolentino, vencedor de dois prêmios Jabuti e eleito intelectual do ano de 2003 pela Academia Brasileira de Letras. Claro que os títulos são desnecessários para ilustrar o seu legado poético, que é invariavelmente ignorado em função de uma vaidade idiota e viciosa. A maioria sequer analisou a sua obra – talvez nem estivessem habilitados para tanto – porque ele chamava a atenção ao que aconteceu no Brasil: “…o besteirol, se havia, estava lá longe, nos cantos. Hoje ele está no centro.” [CONTINUE A LER]
Aug
23
A arte que reflete a vida
Postado em ligeiras impressões, literato | 2 Comentários
Nas últimas três décadas, as artes serviram tão-somente para fins políticos. Deposto o Regime Militar, foi preciso uma mudança conceitual para justificar, portanto, a existência de um artista. Assim, a arte política, graças a um giro linguístico, virou arte engajada. Tal mudança se fez somente pelo fato de não ser mais preciso derrubar um governo, mas incluir os excluídos numa nova percepção de mundo. A questão é que fora sonegado o sentido mesmo da cultura, nada mais do que a expressão natural de um povo, daquilo que ele percebe de si.
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Aug
13
Sobre a tradição literária
Postado em ligeiras impressões, literato | 1 Comentário
É bom que a leitura de uma obra traga em si uma analogia à experiência do leitor. E mesmo que esta alusão seja simples, há sempre de criar uma referência às coisas humanas que se sustentam na experiência da leitura. O intuito é de que a obra apresente ao leitor dramas humanos no mais alto nível, para que seja possível uma reflexão sobre a vida e todas as suas possibilidades.
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Mar
30
Sobre o teatro
Postado em ligeiras impressões | 2 Comentários
Ainda busco uma melhor ideia para definir a utilidade do teatro. Mas, definitivamente, é bastante fácil encontrar um motivo para a sua inutilidade. O ator fala, dirigindo-se às mãozinhas tensas com uma voz ressonante, movimentando-se bruscamente de forma padronizada e, pior, com uma postura pedante, ridiculamente chata. Este é atualmente o responsável pela transição do texto ao público, aquele que tem a função de materializar uma personagem cuja vida é limitada pelo papel, sem forma, particularidades ou uma integral vida psíquica.
Mas o que realmente torna o teatro chato, pedante e inútil? [CONTINUE A LER]
Oct
12
Um texto ruim. No entanto, uma boa luz que revela, no palco, um cenário verdadeiramente incrível. Mas, de fato, o texto é ruim. Poder-se-ia tomar refúgio nos clássicos. “Mas os clássicos são ininteligíveis”, expressaria descontente um ser mais obtuso, que tampouco entenderia se os lesse. E por não entender, acreditaria que a sua imbecilidade se propaga no infinito. Entretanto, nos referimos a um imbecil consciente que, por isso, de forma bem natural, passa a julgar saber as coisas através da própria ignorância, e isto, pitorescamente, lhe traz a certeza de um delirante complexo de superioridade. Esta é a razão pela qual se subestima o público, dando-lhe sempre o que há de pior. [CONTINUE A LER]










