Eu sei, eu sei! Talvez seja mesmo questão de gosto, mas a mim é algo extremamente irritante – e um tanto quanto ridículo – uma entrevista com pretensão de obra literária. Não é nenhuma inovação jornalística porque muita gente de mau gosto já pratica isso há um bom tempo. Ao invés de publicar a pergunta e depois a resposta, o criativo entrevistador se mete a narrar detalhes bobocas que ninguém está interessado e sequer fariam diferença se estivessem ou não por ali. É mais ou menos assim:

…ela estava sentada numa poltrona de cetim verde-limão. Olhando para o teto com a pintura já gasta pelo tempo, disse: “eu acho isso e aquilo”. Ela falava daquilo outro, mas seus olhos ainda se perdiam pelo teto indo em direção a grande porta de madeira que produzia um som inoportuno quando se abria. Ela ainda concluiu dizendo: “também acho isso, isso e isso”, enquanto com mãos ágeis arrumava seus longos e sedosos cabelos que tanto seduzem quando balançam…

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A entrevista em questão é com Anna Netrebko, no El Pais.

Maxwell Gaylord, coordenador humanitário da ONU em Jerusalém, disse que:

“…a ONU gostaria de esclarecer que o bombardeio e todas as fatalidades ocorreram fora e não dentro da escola.”

Os oficiais das Forças Armadas Israelenses tinham dito, há pelo menos um mês, que era impossível que a escola da ONU tivesse sido bombardeada. Depois, que o tipo de míssel usado não teria poder para matar 43 pessoas e ferir outras dezenas, como afirmavam os noticiários.

Agora talvez seja um pouco tarde para a retratação. Todos os âncoras dos telejornais já julgaram fato concreto o bombardeio à escola da ONU. E nenhum deles será homem o bastante para noticiar que tudo, inclusive a eloqüência e repúdio com o qual leram a notícia, era uma farsa. Não houve bombardeio à escola da ONU. [CONTINUE A LER]

Numa brevíssima discussão com um amigo jornalista, questionava o uso indiscriminado do adjetivo suposto nas repostagens. O suposto é hipótese e torna a narrativa totalmente dúbia.

A reportagem que deu início a discussão era a seguinte, da jornalista Carolina Iskandarian para o portal G1:

“Polícia procura paradeiro de suposto traficante em SP
Conhecido como Naldinho, ele sumiu no dia 29 de dezembro no litoral.
Policiais suspeitam de que homem recebia ameaças de morte.”

[CONTINUE A LER]

A foto abaixo levanta uma questão interessante: se o acesso a Gaza está proibido aos jornalistas, de onde aparecem tantas estatísticas e tantas fotos? Como o jornal da Globo News sabe que de cada 3 mortes no conflito, pelo menos uma é criança?

photogs

[CONTINUE A LER]

Como se permite que algo deste tipo seja publicado na dita “grande mídia”?:

A explicação mais provável, embora ainda não comprovada, envolve a ação do aquecimento global. É que, para aumentar seu esqueleto calcário, os corais precisam retirar minerais da água marinha. Com o mar mais quente e mais ácido, no entanto, graças ao aumento do gás carbônico dissolvido nele, esses minerais ficam menos disponíveis para o organismo dos corais. O processo é preocupante porque uma infinidade de sérios (sic) vivos depende da saúde dos recifes para continuar a existir.

Explicação mais provável, mas não comprovada? Como algo pode ser “mais provável” sendo completamente improvável?

Coisas do jornalismo. E tem gente que só acredita vendo um link ou uma página de jornal como prova verossímil.

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A audaz matéria – que não passa de propaganda, aqui.

Gilad Shalit



O soldado israelita Gilad Shalit foi libertado, após cinco anos e quatro meses refém na faixa de Gaza.

Um acordo entre Israel e o movimento radical Hamas, através de mediação egípcia, permitiu a sua libertação em troca de mil presos palestinos.

Shalit tinha 19 anos quando foi capturado a 25 de junho de 2006 junto à faixa de Gaza por um comando palestino que integrava elementos de três grupos armados, incluindo o braço armado do movimento radical Hamas, as brigadas Ezzedine al-Qassam.
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