Um debate levantado pelo jornal inglês The Guardian procura saber quem são os culpados pela 2º Guerra Mundial, além de Hitler, claro. Tudo aponta para Stalin. Vale lembrar que há hoje na Rússia uma campanha propagandista para recuperar a imagem do ditador – encabeçada pelo primeiro-ministro-imperador Vladmir Putin.

Em resposta ao debate, o menino de recados de Putin – e nas horas vagas presidente do país – Dimitri Medvedev, disse que: “(…) no fim das contas, Stalin salvou a Europa do nazismo”.

Interessante, Stalin é o grande herói da 2º Guerra. Por outro lado os alemães só não invadiram Moscou porque o front aliado, desembarcando nas costas francesas, já tinha dedicado duros golpes aos nazistas. Sem contar com a fracassada campanha na África, em que Hitler perdeu muitos homens e tornou-se uma presa fácil aos Aliados.

Em verdade, o exército russo nunca prestou pra nada, senão fuzilar, nos gulags, pobres inocentes desarmados que não tinham a mínima condição de se defender. Não à toa os russos gastaram mais dinheiro com a KGB influenciando guerrilhas e massacres de terceiros do que enfrentando adversários em combate. [CONTINUE LENDO]

Uma singela brincadeira com trechos de uma conversa sobre Poesia com mais uma daquelas pessoas que a vida, naqueles instantes de divina inspiração, nomeou para cruzar o meu caminho.

I

Geralmente, Diogo, defende-se a poesia como a possibilidade literária de se fugir da razão e dar lugar às emoções. Tenho para mim que isso abre margem para viagens imaginativas que podem, futuramente, trazer muito desalento, muita solidão. Repare como os poetas são pessoas que sofrem. A meu ver, é porque embora explodam em sensações, mudando de estado psicológico rapidamente, pulando entre emoções antagônicas, não se esforçam para analisar esses sentimentos e acabam por distanciar-se da realidade. Posso, claro, estar exagerando.

De forma alguma, Raphael. Concordo com você quanto à fuga da realidade, é um perigo que se corre. Mas eu tento encarar a poesia – e mesmo as artes – como uma conexão direta com a realidade. Mesmo que de uma forma ainda incipiente, que se sente e, ainda diante de todas as evidências, não se consegue explicar. Aí está o contexto artístico, que é transformar em palavras – esculturas, pinturas, ou o que seja – as coisas inexplicáveis, usando alusões, metáforas, etc. Mas sempre com os pés na realidade, porque mesmo o que se sente, de alguma forma existe, embora não seja algo acessível a quem não sente. O Pessoa diz num de seus versos que o poeta é um fingidor, mas talvez estivesse sendo irônico. Só se tem o que escrever quando há um sentimento real, que é percebido, que está claro como o sol, mas ainda faltam palavras que possam comunicar. [CONTINUE LENDO]

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Encarnando Antônio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva. Para ilustres propósitos que agora não são importantes. Há notícias de que os anais das Cortes de Lisboa foram para o lixo, devido às esculhambações sofridas pelos deputados portugueses frente aos discursos do nobre Andrada. Abaixo, sob licença poética, incorporo, sem relevo, o espírito deste virtuoso ser, a discursar voltando-se aos nobres, mas somente aos nobres:

ANTÔNIO CARLOS: Sr. Presidente, em verdade não compete à Assembléia decidir quem seria o melhor tutor do imperador menor o sr. D. Pedro II, posto que o próprio pai já o fez. Além de não ser necessário lembrar que neste país não há inteligência comparável a do sr. José Bonifácio de Andrada, e isto também não é exagero de irmão. É algo auto-evidente. [CONTINUE LENDO]

Há pelo menos uns três dias eu estou rindo disso:

Carta de Voltaire à Rousseau, em 30 de agosto de 1755:

“Recebi, Monsieur, vosso novo livro contra o gênero humano. E eu agradeço. Agradará aos homens, a quem vós dirigis vossas verdades, e vós não os corrigireis*. Não poderíamos pintar com cores tão fortes os horrores da sociedade humana, cuja nossa ignorância e nossa fraqueza prometem-nos tanta consolação. Jamais se empregou tanta vontade em querer nos tornar animais. Sente-se ganas de andar com quatro patas quando se lê vossa obra. No entanto, como perdi esse hábito há mais de sessenta anos, sinto que infelizmente não tenho como retomá-lo, e deixo este comportamento natural aos que são mais dignos do que o senhor e eu.
(…)
M. Chappuis informou-me que vossa saúde anda muito mal; seria necessário vir restabelecê-la respirando o ar da terra natal, gozar a liberdade, beber comigo o leite de nossas vacas e pastar o nosso capim.

Muito filosoficamente e com a mais alta estima, etc.”

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* Os verbos na segunda pessoa do plural podem parecer estranhos a nós brasileiros que já os suprimimos, mas assim segue para manter la forme de politesse française.

Agradeço ao amigo Marcelo Gonzaga que, partilhando a piada, tornou-me um sujeito mais feliz, pelo menos nesses três últimos dias.

Encontra-se a carta na íntegra, bem como a resposta de Rousseau (ambas em francês), aqui.

Na seção de “biblioteca”, estão disponíveis dois trechos dos livros:

JB-porCalixto- CALDEIRA, Jorge
Obra Completa de José Bonifácio de Andrada (somente o ótimo texto introdutório sobre a vida e obra do nosso Patriarca da Independência) – 8,1 MB, em PDF

- SILVA, Octávio Tarquínio
O Pensamento Vivo de José Bonifácio de Andrada (Introdução sobre a sua obra além de uma seleção apontamentos e notas) – 4,4 MB, em PDF

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Gilad Shalit (Nahariya, 28 de agosto de 1986) é um soldado israelense capturado em Kerem Shalom na Faixa de Gaza por militantes palestinos em 25 de junho de 2006.

Gilad Shalit é refém do Hamas há mais de mil dias.
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