Por outro lado, contrario-me por uma questão impreterivelmente importante: [CONTINUE LENDO]
Jul
24
Há pelo menos uns três dias eu estou rindo disso:
Carta de Voltaire à Rousseau, em 30 de agosto de 1755:
“Recebi, Monsieur, vosso novo livro contra o gênero humano. E eu agradeço. Agradará aos homens, a quem vós dirigis vossas verdades, e vós não os corrigireis*. Não poderíamos pintar com cores tão fortes os horrores da sociedade humana, cuja nossa ignorância e nossa fraqueza prometem-nos tanta consolação. Jamais se empregou tanta vontade em querer nos tornar animais. Sente-se ganas de andar com quatro patas quando se lê vossa obra. No entanto, como perdi esse hábito há mais de sessenta anos, sinto que infelizmente não tenho como retomá-lo, e deixo este comportamento natural aos que são mais dignos do que o senhor e eu.
(…)
M. Chappuis informou-me que vossa saúde anda muito mal; seria necessário vir restabelecê-la respirando o ar da terra natal, gozar a liberdade, beber comigo o leite de nossas vacas e pastar o nosso capim.Muito filosoficamente e com a mais alta estima, etc.”
————
* Os verbos na segunda pessoa do plural podem parecer estranhos a nós brasileiros que já os suprimimos, mas assim segue para manter la forme de politesse française.
Agradeço ao amigo Marcelo Gonzaga que, partilhando a piada, tornou-me um sujeito mais feliz, pelo menos nesses três últimos dias.
Encontra-se a carta na íntegra, bem como a resposta de Rousseau (ambas em francês), aqui.
Jul
3
Bem lembrado
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E também faz sentido:
“(…) I sincerely hope that when the president goes in for his annual check-up, the doctors at Bethesda* will do a brain scan. Surely something must be terribly wrong with a man who seems to be far more concerned with a Jew building a house in Israel than with Muslims building a nuclear bomb in Iran.”
– Burt Prelutsky“(…) eu sinceramente espero que quando o presidente for fazer o seu check up anual, os doutores de Bethesda façam uma varredura no seu cérebro. Certamente há algo terrivelmente errado com um homem estar mais preocupado com um judeu construindo uma casa em Israel, do que com muçulmanos construindo uma bomba nuclear no Irã.”
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* Bethesda é o Centro Médico Naval em Maryland, que atende os presidentes norte-americanos.
– Aqui, a íntegra do divertido artigo do Prelutsky, lá no Townhall.
Jun
19
Petite pensée
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Graças a Deus eu sempre ví com desconfiança essa coisa de tomar o brasileiro como um idiota. Explico: um bobalhão qualquer da USP acreditando que as pessoas são tão burras, mas tão burras, que ele precisa emprestar o cérebro para toda a população nas questões mais elementares. Acha que o indivíduo médio não é capaz de ler e entender ou mesmo compreender o que se passa a sua volta, na sua própria vida. Por isso, parece que dar livros, boas escolas, boa educação é algo tão supérfluo que não faria muita diferença, já que os super-heróis uspianos são capazes de “pensar” por toda a sociedade.
E, claro, para tanto, basta lhes dar o poder.
Mar
27
Inovações?
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Eu sei, eu sei! Talvez seja mesmo questão de gosto, mas a mim é algo extremamente irritante – e um tanto quanto ridículo – uma entrevista com pretensão de obra literária. Não é nenhuma inovação jornalística porque muita gente de mau gosto já pratica isso há um bom tempo. Ao invés de publicar a pergunta e depois a resposta, o criativo entrevistador se mete a narrar detalhes bobocas que ninguém está interessado e sequer fariam diferença se estivessem ou não por alí. É mais ou menos assim:
…ela estava sentada numa poltrona de cetim verde-limão. Olhando para o teto com a pintura já gasta pelo tempo, disse: “eu acho isso e aquilo”. Ela falava daquilo outro, mas seus olhos ainda se perdiam pelo teto indo em direção a grande porta de madeira que produzia um som inoportuno quando se abria. Ela ainda concluiu dizendo: “também acho isso, isso e isso”, enquanto com mãos ágeis arrumava seus longos e sedosos cabelos que tanto seduzem quando balançam…
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A entrevista em questão é com Anna Netrebko, no El Pais.
Dec
16
Afinal, discute-se mérito ou forma?
Postado em comentários impreteríveis, obscuridades & truanices | 2 Comentários
Não queria escrever sobre a discussão do Olavo com o Pedro Dória simplesmente para não ser acusado de parasitar na briga alheia. Tenho este blog por um motivo totalmente egoísta, que é organizar meus pensamentos. Estou literalmente me lixando para o dito “público”. Aliás, esta é a expressão que, aqui, melhor se traduz Shrugged*.





