May
27
As duas faces da mentira
Postado em vergonhas categóricas
- “Camaradas”, explicou Mironov, “fomos forçados a fazer algumas concessões no terreno religioso pelo fato de que muitos dos nossos soldados são oriundos de aldeias atrasadas, onde a religião ainda exerce uma considerável influência. Além disso, o inimigo [nazistas]usa como propaganda as nossas atitudes anti-religiosas, assim, este pacto com a Igreja Russa obrigar-lhes-ão a se calar. (…) Portanto, esta nossa nova política será também valiosa para esmagar a propaganda anti-soviética sustentada pelos católicos romanos, luteranos e outros odientos grupos de crentes. É por isso que não devemos nos precipitar nas críticas, nem subestimar a prudência deste ato proposto pelo nosso Partido”.
- Mas não seria possível, camarada Mironov, que com este ato, uma nova geração seja corrompida pela superstição?, intervém um dos presentes.
- Não há nada a se temer, camarada – diz ele sorrindo. Não há em nosso país terreno fértil para idéias religiosas. Afinal, a imprensa, o teatro, o rádio, as escolas, a literatura, ou seja, todas as forças da inteligência estão sob o controle direto do Partido. Um jovem com inclinações à religião não terá espaço entre nós porque os que não estão do nosso lado, espiritual e politicamente, não terão lugar na sociedade. Este é o nosso supremo privilégio.
Repito: não há nada a se temer! E, lembrem-se camaradas, a Igreja é separada do Estado. Mas as escolas e os meios políticos estão sob nosso total controle. Estejam certos de que detemos uma força muito superior à dos padres, e não seríamos idiotas a ponto de permití-los orientar as novas gerações. .”
in: Eu Escolhi a Liberdade, de Viktor Kravtchenko. Página 443 – Cap. XXV – As duas verdades.
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