- “Camaradas”, explicou Mironov, “fomos forçados a fazer algumas concessões no terreno religioso pelo fato de que muitos dos nossos soldados são oriundos de aldeias atrasadas, onde a religião ainda exerce uma considerável influência. Além disso, o inimigo [nazistas]usa como propaganda as nossas atitudes anti-religiosas, assim, este pacto com a Igreja Russa obrigar-lhes-ão a se calar. (…) Portanto, esta nossa nova política será também valiosa para esmagar a propaganda anti-soviética sustentada pelos católicos romanos, luteranos e outros odientos grupos de crentes. É por isso que não devemos nos precipitar nas críticas, nem subestimar a prudência deste ato proposto pelo nosso Partido”.

- Mas não seria possível, camarada Mironov, que com este ato, uma nova geração seja corrompida pela superstição?, intervém um dos presentes.

- Não há nada a se temer, camarada – diz ele sorrindo. Não há em nosso país terreno fértil para idéias religiosas. Afinal, a imprensa, o teatro, o rádio, as escolas, a literatura, ou seja, todas as forças da inteligência estão sob o controle direto do Partido. Um jovem com inclinações à religião não terá espaço entre nós porque os que não estão do nosso lado, espiritual e politicamente, não terão lugar na sociedade. Este é o nosso supremo privilégio.

Repito: não há nada a se temer! E, lembrem-se camaradas, a Igreja é separada do Estado. Mas as escolas e os meios políticos estão sob nosso total controle. Estejam certos de que detemos uma força muito superior à dos padres, e não seríamos idiotas a ponto de permití-los orientar as novas gerações. .”

in: Eu Escolhi a Liberdade, de Viktor Kravtchenko. Página 443 – Cap. XXV – As duas verdades.

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Comentário

Uma Resposta para “As duas faces da mentira”

  1. Christian em October 15th, 2010 9:35 am

    Excelente.

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Gilad Shalit



O soldado israelita Gilad Shalit foi libertado, após cinco anos e quatro meses refém na faixa de Gaza.

Um acordo entre Israel e o movimento radical Hamas, através de mediação egípcia, permitiu a sua libertação em troca de mil presos palestinos.

Shalit tinha 19 anos quando foi capturado a 25 de junho de 2006 junto à faixa de Gaza por um comando palestino que integrava elementos de três grupos armados, incluindo o braço armado do movimento radical Hamas, as brigadas Ezzedine al-Qassam.
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