Sep
8
Honra e patriotismo
Postado em divinas inspirações
Ainda comemorando a Semana da Independência.
Uma troca de cartas entre D. Pedro e José Bonifácio. Talvez, o início da redenção de Pedro, que abdicou da coroa depois de inúmeros passos em falso; inúmeros erros cometidos. Mas partiu para Portugal com o intuito de retomar o trono de sua filha, Maria da Glória, usurpado pelo irmão D. Miguel, tornando-se um grande herói em terras portuguesas. Já para Bonifácio, por que não considerar uma nova oportunidade? E isto representou uma nova oportunidade para nós brasileiros: fundar um país realmente decente. Mas, infelizmente, parafraseando o Patriarca, a ignorância se opôs com seus costumados obstáculos:
CARTA DE D. PEDRO:
Bordo da nau inglesa, surta neste porto do Rio de Janeiro, 7 de abril de 1831.
Amicus certus in re incerta cenitur*
É chegada a ocasião de me dar mais uma prova de amizade, tomando conta da educação de meu muito amado e prezado filho, seu imperador. Eu delego em tão patriótico cidadão a tutoria de meu querido filho e espero que educando-o naqueles sentimentos de honra e de patriotismo em que devem ser educados todos os soberanos para serem dignos de reinar, ele venha um dia a fazer a fortuna do Brasil, de quem me retiro saudoso. Eu espero que me faça este obséquio; acreditando que a não m’o fazer eu viverei sempre atormentado.
Seu amigo constante – Pedro.
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RESPOSTA DE JOSÉ BONIFÁCIO:
Senhor:
A carta de Vossa Majestade veio servir de um pequeno lenitivo ao meu aflito coração; pois vejo que apesar de tudo, Vossa Majestade ainda confia na minha honra e pequenos talentos para cuidar na tutoria e educação de seu Agusto filho o Senhor D. Pedro II. Se eu não puder obter a confirmação da Regência e Câmaras, ao menos como cidadão particular não deixarei um só momento de vigiar sobre sua futura felicidade e aproveitamento por todos os meios que me forem possíveis enquanto durar este sopro de vida que me anima. Confie Vossa Majestade em mim, que nunca enganei a ninguém e nunca soube desamar a quem uma vez amei. Rogo a Vossa Majestade me ponha aos pés das Augustíssimas Senhoras Imperatriz e Rainha de Portugal, por quem rogo ao Deus do Universo do fundo da minha alma se digne felicitá-las em todo o tempo e circunstância desta nossa miserável vida. Iguais votos encaminha aos céus o meu sincero coração pelo soberano, que foi a minha escolha, e pelo meu Amigo. Beijo as mãos de Vossa Majestade.
José Bonifácio de Andrada e Silva – Paquetá, 8 de abril de 1831.
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*Os bons amigos se conhecem na hora da adversidade.
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Excelente! Vale dizer que durou pouco tempo essa tutoria e, no fim das contas, a educação ficou por conta do Itanhaém.