Um debate levantado pelo jornal inglês The Guardian procura saber quem são os culpados pela 2º Guerra Mundial, além de Hitler, claro. Tudo aponta para Stalin. Vale lembrar que há hoje na Rússia uma campanha propagandista para recuperar a imagem do ditador – encabeçada pelo primeiro-ministro-imperador Vladmir Putin.

Em resposta ao debate, o menino de recados de Putin – e nas horas vagas presidente do país – Dimitri Medvedev, disse que: “(…) no fim das contas, Stalin salvou a Europa do nazismo”.

Interessante, Stalin é o grande herói da 2º Guerra. Por outro lado os alemães só não invadiram Moscou porque o front aliado, desembarcando nas costas francesas, já tinha dedicado duros golpes aos nazistas. Sem contar com a fracassada campanha na África, em que Hitler perdeu muitos homens e tornou-se uma presa fácil aos Aliados.

Em verdade, o exército russo nunca prestou pra nada, senão fuzilar, nos gulags, pobres inocentes desarmados que não tinham a mínima condição de se defender. Não à toa os russos gastaram mais dinheiro com a KGB influenciando guerrilhas e massacres de terceiros do que enfrentando adversários em combate.

Ainda que se pretenda uma estúpida comparação, Hitler pelo menos foi homem para encarar a sua abominável loucura de frente. Marchou sobre a Europa enquanto Stalin – usual a todos os comunas – preferiu esconder-se com um véu de santidade social enquanto orquestrava o caos já pensando na partilha ulterior. E como foi freqüente desde a revolução de 17, usava covardemente o seu poder para dizimar alguns infelizes que sequer esboçavam reação. E a KGB sempre agiu assim: posavam de machões mostrando mísseis vazios em desfiles militares com um monte de soldadinhos de papel, enquanto no backstage negociavam armas com guerrilhas e infiltravam agentes de influência pelo mundo. Aliás, receita seguida por Fidel, agora por Chavez e Ahmadinejad, mas já é outro assunto!

Entretanto, também não se trata de uma simples comparação. A questão fundamental é apontar os responsáveis pelos fatos históricos mais repugnantes – sem essa desinformação pela guerra assimétrica. Infelizmente ainda temos idiotas o bastante para, ao mesmo tempo que abominam Hitler com todas as forças, conseguem sorrir simpaticamente para o outro genocida, que é Stalin.

Contudo, para enriquecer esta discussão deixo disponível uma parte do livro “URSS – Inferno ou Paraíso”, escrito por Ricardo C. do Amaral. (em PDF, 4,1MB). Ele participou de uma Conferência Econômica na URSS em 1952 e relatou o que viu. O primeiro trecho são as impressões de Moscou. Acho-as muito parecidas com os relatos do Kravchenko em “Eu Escolhi a Liberdade”, embora este tenha deixado claro que era tudo de mentirinha na capital soviética, que sempre foi um tipo de Show Room do Comunismo – enquanto escondia-se massacres, gulags e a total miséria.

Voltando a Amaral, no segundo trecho ele informa, valendo-se de estatísticas oficiais, as cifras da ajuda dos EUA e da Grã Bretanha, enviando comida para os famintos e despreparados soldados, além de armas, tanques, jipes (a lista é grande) e principalmente dinheiro. Na época, o total somou mais de 11 bilhões de dólares dos quais Stalin só pagou 2 milhões. Por fim, derruba alguns outros mitos sobre essa bobagem comum aos russos de que Stalin salvou a Europa do nazismo. Ele conclui:

“Alega-se para comprovar que foi a URSS que lutou e venceu [A Segunda Guerra], o número catastrôfico das perdas soviéticas, várias vezes superior ao das perdas norte-americanas. O que se comprova com cifras publicadas, é que enquanto os Estados Unidos sacrificavam material para poupar vidas, Stalin e seus marechais lançavam na fornalha, sem economia nem piedade, os seus homens feitos carne para canhão”.

Enfim, mais uma característica comuno-russa: fazer uso dos idiotas úteis para atingir objetivos diabólicos. Ou seja: Stalin ajudou Hitler, cedendo parte de seu espaçoso território para que os nazistas formassem seu exército na surdina, já que com o fim da Primeira Guerra, o tratado de Versalhes havia restringido o poder militar da Alemanha a 100 mil soldados. Depois firmou o pacto Molotov-Ribbentrop, para no fim das contas mandar seus miseráveis soldados para um massacre. E tudo somente para obter algum poder e influência com a partilha do mundo no pós-Guerra, que tirou os russos do limbo, transformando-os em uma superpotência inadimplente.

***

E… infelizmente, segue na mesma lógica a política esquerdista. Idiotas úteis auxiliam (não raro doam suas vidas) para a tomada do poder que será dividido exclusivamente entre uma Nomenklatura. Mas isso me remete diretamente a la Boétie e seu Discurso sobre a Servidão Voluntária:

“Digno de espanto, se bem que vulgaríssimo, e tão doloroso quanto impressionante, é ver milhões de homens a servir, miseravelmente curvados ao peso do jugo, esmagados não por uma força muito grande, mas aparentemente dominados e encantados, apenas pelo nome de um só homem cujo poder não deveria assustá-los, visto que é um só, e cujas qualidades não deveriam prezar porque, os trata desumana e cruelmente.
(…)
Que nome se deve dar a esta desgraça? Que vício, que triste vício é este: um número infinito de pessoas não a obedecer, mas a servir; não governadas, mas tiranizadas – sem bens, sem pais, sem vida a que possam chamar sua? Suportar a pilhagem, as luxúrias, as crueldades, não de um exército, não de uma horda de bárbaros contra os quais dariam o sangue e a vida, mas de um só? Não de um Hércules ou de um Sansão, mas de um só indivíduo que na maioria das vezes, é o mais covarde e indigno de toda a nação…

Chamaremos a isto covardia? Temos o direito de afirmar que todos os que assim servem são uns míseros covardes?”

Definitivamente, como expõe o mestre Olavo de Carvalho, o pensamento revolucionário é pautado tão-somente por uma doença mental.

Comentário

Uma Resposta para “Stalin, Hitler e o pensamento revolucionário”

  1. victor em October 12th, 2009 1:08 pm

    não invadiram Moscou -1941 dezembro;o front aliado, desembarcando nas costas francesas-primavera 1943.

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Gilad Shalit (Nahariya, 28 de agosto de 1986) é um soldado israelense capturado em Kerem Shalom na Faixa de Gaza por militantes palestinos em 25 de junho de 2006.

Gilad Shalit é refém do Hamas há mais de mil dias.
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