Jul
31

Encarnando Antônio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva. Para ilustres propósitos que agora não são importantes. Há notícias de que os anais das Cortes de Lisboa foram para o lixo, devido às esculhambações sofridas pelos deputados portugueses frente aos discursos do nobre Andrada. Abaixo, sob licença poética, incorporo, sem relevo, o espírito deste virtuoso ser, a discursar voltando-se aos nobres, mas somente aos nobres:
ANTÔNIO CARLOS: Sr. Presidente, em verdade não compete à Assembléia decidir quem seria o melhor tutor do imperador menor o sr. D. Pedro II, posto que o próprio pai já o fez. Além de não ser necessário lembrar que neste país não há inteligência comparável a do sr. José Bonifácio de Andrada, e isto também não é exagero de irmão. É algo auto-evidente. Mas talvez essa discussão superficial tenha objetivos nefastos que não ousariam ser expostos de forma clara. Aqui nesta casa a pobreza de espírito exala naturalmente de alguns senhores que pretendem fazer do imperador, que é um menino, um títere, um joguete político. Vileza característica de pessoas desonradas, baixas, que não pretendem e nunca pretenderam construir uma nação decente, rica e com um futuro próspero. Mas é este o caminho que vamos escolher? Da vileza? Vamos permitir que interesses políticos e meramente pessoais decidam o nosso futuro? Permitiremos que torpes motivos edifiquem a nação que estamos construindo? Eu vos respondo sem a menor dúvida com um sonoro: não! Não, senhores, eu não admito que interesses escusos decidam o meu futuro e comprometam a minha liberdade. Bem sei que desagradado a maioria de vós, mas é porque eu me comprometo com Deus e com a minha consciência a falar somente com imparcialidade.
Julgo, pois, senhor presidente, e também me dirijo a vocês, nobres deputados, mas somente aos nobres que sei que posso contar com a sensatez ao analisar minhas palavras, que esta é mais uma daquelas horas de caos em que a vida incumbe homens comuns a tarefa de tornarem-se grandes homens. E isto é algo possível somente àqueles que estiverem conectados com a realidade e comprometidos tão-somente com a verdade. E, para que seja possível, basta enxergar com a dimensão exata todas as possibilidades humanas. E elas são muitas. Mas depende de cada um de nós agirmos. Porque se não o fizermos, os maus tomarão à frente e agirão por nós – e, em verdade, é algo que eles já estão fazendo. E, como me dirigo somente aos bons, ouso perguntar: ficaremos assistindo a nossa desgraça? Até quando, senhores, até quando?
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Foto furtada do amigo Rafael Nogueira: “No tumulto nas Cortes de Lisboa, Antônio Carlos (de costas), enfrentando Borges Carneiro (de pé, à sua frente) e os apupos portugueses”
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2 Respostas para “Até quando, senhores, até quando?”
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Prezado senhor,
Li seu comentário no blog da Dicta&Contradicta e, mesmo sendo um ignorante ordinário, sou levado a crer que o senhor está coberto de razão.
Há sim uma tradição brasileira poderosíssima a partir da qual é possível construir uma civilização neste país.
Dando uma olhada neste blog percebo que já existe uma nova geração disposta a dar um salto civilizacional.
Estou disposto, custe o que custar, a fazer parte dela.
Abraço,
Excelente incorporação!
Acho absolutamente necessário dar vida às lições desses grandes homens da nossa história!
Um abração!