912

A confusão na eleição iraniana, gerando violentos protestos nas ruas de Teerã – combatidos com ainda mais violência – abriu apenas dois caminhos para interpretação no Brasil:

1) A visão lulista de que é somente um problema futebolístico-eleitoral onde os perdedores não admitem a derrota;

2) A visão chavista de que Mir Hossein Mousavi era um candidato financiado pela CIA, para entregar o Irã aos interesses norte-americanos.

Agora, vejamos o que realmente se passa no Irã:

Após a Revolução de 1979, Aiatolá Khomeini criou a Guarda Revolucionária Iraniana para proteger o regime de ameaças internas e externas. A GRI especializou-se em operações de inteligência para espalhar a sua ideologia revolucionária pelos países árabes. Hoje, analistas apontam a agência de inteligência do Irã como a maior financiadora de grupos terroristas como o Hezbollah (1). E nos últimos 25 anos ela esteve envolvida diretamente no fornecimento de armas para o grupo terrorista do Líbano e mísseis para ataques do Hamas a Israel(2), além das acusações de espionagem pelos governos do Egito e da Jordânia. (3)

Segundo um ex-integrante da Guarda, Mohsen Sazegara – hoje dissidente do regime de Teerã e refugiado nos Estados Unidos – a organização detém um poder inestimável. Além da força militar, ela possui 80 cadeiras no Parlamento. “Eles são como a KGB por ter seu serviço secreto e ainda agirem como um cartel econômico” (4) diz Sazegara, referindo-se a mais de 100 empresas no ramo da construção e de trading dirigidas pela GRI, que a torna o principal poder econômico no Irã.(5)

Com todo este poder – militar, econômico e político – não demorou para que fosse eleito um presidente diretamente ligado a eles. Mahmoud Ahmadinejad é um veterano da Guarda Revolucionária. E as divergência políticas iniciaram logo após a sua eleição, em 2005. Algumas lideranças relativamente poderosas, como o ex-primeiro ministro Mir Hossein Mousavi e o presidente do Conselho Religioso dos Especialistas, Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, passaram a temer a possibilidade do país deixar de ser uma teocracia fundamentada no Islã, para adentrar num poder ditatorial na figura do Aiatolá Khamenei. Tais desconfianças tornaram-se mais evidentes com o apoio irrestrito do Líder Supremo, à re-eleição de Ahmadinejad. Foi o estopim para as manifestações contra o establishment político no Irã.

Até aqui, somos tomados pela impressão de que devemos nos solidarizar com a oposição à Ahmadinejad, depois das fortes evidências quanto à fraude nas eleições e a violência contra jovens e mulheres que se manifestam sob a liderança de Mousavi. No entanto, todos eles sempre estiveram de comum acordo no que concerne às intenções iranianas de espalhar a ideologia revolucionária por todo Mundo Árabe. Nunca se opuseram à infiltração de agentes de inteligência em outros países, que torna a região politicamente instável e aumenta a influência do Irã. Portam-se da mesma forma em relação ao programa nuclear que figura como a maior ameaça tanto no Ocidente quanto aos países do Oriente Médio.

De qualquer forma, ao que parece, a re-eleição de Ahmadinejad é algo irreversível. E finalmente deixa claro para todo o mundo que é um erro infame tentar negociar com este regime sem pré-condições, como sempre pretendeu o presidente norte-americano B. Hussein Obama.

—————————-

(1) Hezbollah é produto da Revolução Iraniana
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/
02/090211_irarevolucaohezbollahml.shtml

(2) Iran ‘leading terrorism sponsor’
http://news.bbc.co.uk/2/hi/americas/8028064.stm

(3) Egypt-Iran war of words flares
http://www.theaustralian.news.com.au/story/0,25197,25381725-2703,00.html

(4) The Evolution of Iran’s Revolutionary Guard
http://www.npr.org/templates/story/story.php?storyId=9371072

(5) Iran’s $12-billion enforcers
http://articles.latimes.com/2007/aug/26/world/fg-guards26

Seu IP:
38.107.191.111

TEXTOS RELACIONADOS:

  1. Diferenças que não existem
  2. Ficou só na conversa
  3. Teoria da conspiração, é?
  4. Os palestinos que renegam o terrorismo são traidores?
  5. E se a diplomacia falhar?

Comentário

Comente se for capaz!




*
To prove you're a person (not a spam script), type the security word shown in the picture. Click on the picture to hear an audio file of the word.
Click to hear an audio file of the anti-spam word

..................................
Free Gilad

Gilad Shalit (Nahariya, 28 de agosto de 1986) é um soldado israelense capturado em Kerem Shalom na Faixa de Gaza por militantes palestinos em 25 de junho de 2006.

Gilad Shalit é refém do Hamas há mais de mil dias.
Rodney's Search Widget plugged in.