As notícias que chegam ao Brasil sobre o Oriente Médio, salvo a coluna do jornalista Nahum Sirotsky no IG, resumem-se em organizar um apanhado do que informam as agências de notícias sem aprofundar em temas mais espessos ou mesmo vinculando as notícias com o contexto histórico das quais elas correspondem. A impressão quando se lê o que se publica no Brasil sobre os conflitos na Faixa de Gaza por exemplo, é que bastaria Israel devolver os territórios ocupados na Guerra dos Seis Dias que a paz reinaria absoluta na região. A mentalidade não poderia ser mais pueril.

Os problemas em relação à Palestina iniciaram ainda no mandato inglês, após a dissolução do Império Otomano no final da Primeira Guerra. Os judeus já imigravam para a Palestina com a idéia de estabelecer um estado. Esta imigração aumentou após a Declaração de Balfour, em 1917, que era um parecer favorável do governo inglês ao estabelecimento de um estado israelense na região. No entanto, também crescia um sentimento nacionalista entre os palestinos, mas diferente da coesão sionista, havia diversas correntes políticas com objetivos contraditórios. Ainda assim, grande parte dos palestinos não viam os judeus como inimigos e passaram a vender terras e trabalhar juntos para o desenvolvimento de um estado. Por outro lado, outras correntes, lideradas por Mufti Haj Amin al-Husseini, viam os sionistas como intrusos e consideravam traidores os palestinos que vendiam suas terras ou estabeleciam negócios com os judeus. Al-Husseini acabou por declarar uma jihad contra mais da metade da população palestina.

Anos se passaram entre agressões mútuas, mas ainda há hoje alguns poucos palestinos dispostos a viverem em paz ao lado dos israelenses. Principalmente àqueles que sofrem com a tirania do Hamas, que, segundo o Human Rights Watch, desde que chegou ao poder, massacra seu próprio povo. Porém, a questão mais importante é que os grupos que governam a Palestina ainda pretendem a dissolução do Estado de Israel como pré-requisito para a instauração de um Estado Palestino. Para o Hamas e o Hezbollah, não existe a solução dos conflitos com dois estados, como pretende o plano do presidente B. Hussein Obama. Eles querem um estado único.

Assim, tenta-se resolver o conflito de forma unilateral. E ao passo que o governo israelense se propôs a retirar colonos judeus de alguns territórios ocupados em 1967, na Guerra dos Seis Dias, os grupos que governam a Palestina não retrocederam um milímetro em seus objetivos de destruir o Estado de Israel. Tampouco abandonaram o terrorismo como ação política, embora muitos acreditassem – o presidente George W. Bush incluso – que com a ascensão ao poder político, o Hamas abandonaria as armas.

Mas há quem acredite que o Hamas e o Hezbollah são movimentos políticos legítimos. Ignoram o fato de existir palestinos que não coadunam com o terrorismo e que, como àqueles que lutaram ao lado dos sionistas contra o extremismo de al-Husseini, são considerados traidores e sofrem perseguições.

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Comentário

3 Respostas para “Os palestinos que renegam o terrorismo são traidores?”

  1. Anita Lucchesi em June 10th, 2009 5:09 am

    Verdade, a gente recebe notícia daquelas malpassadas… quando são aproveitáveis, são requentadas.
    Mas o Sirotsky manda bem!

    Faz tempo que não nos falamos. Eu sumi.
    Uma correria… Enfim…

    Abraço!

  2. anderson rangel em June 11th, 2010 6:37 am

    Toda conversa acerca da questão palestina, p/ ser produtiva, precisa de um foco: o povo palestino tem o direito a um país c/ fronteiras pré 67.Tudo o mais é secundário e muitas vezes só serve p/ tirar o FOCO do X da questão.

  3. Ronald em June 23rd, 2010 7:42 pm

    Anderson,

    se o senhor consultar a resolução da ONU que deu base jurídica para a criação do Estado de Israel, saberá que ela também vale para os Palestinos. Eles deveriam ter criado um estado, mas não o fizeram por inúmeros motivos políticos-ideológicos internos que não convém lembrar agora, porque tomaria muito tempo e espaço.

    O tal X da questão é apenas um: quem governaria um estado palestino? O Hamas? Ora, o Hamas oprime o próprio povo que representa, além disso ainda guarda em seu estatuto o objetivo de destruir Israel e lutar contra o Ocidente infiel.

    Quanto a fronteira estabelecida com a Guerra dos 7 dias, visa apenas a segurança nacional israelense.

    É incrível como as pessoas gostam de dar opiniões sem estudar o assunto. Desde 2004, Israel vem cedendo para que haja possibilidade de discutir uma solução com dois estados: Sharom cortou a própria carne expulsando colonos judeus de West Bank, por exmeplo; Itzak Rabin tentou negociar o acordo de Oslo onde cedia mais do que exigia da OLP.

    O X da questão de verdade é que há – e sempre houve – palestinos dispostos a viver pacificamente como vizinhos de Israel. No entanto, o poder político na Palestina sempre fora imposto através do terror – de Al Husseini e Al Qassam, passando por Arafat para chegar no Hamas. A OLP, por muito tempo, foi adepta do terrorismo, mas ensaiou renunciar a ele para resolver a questão. Hoje, o seu representante, Mahmoud Abas, está refugiado na Jordânia e tem a vida ameaçada pelo Hamas.

    Este é o cenário, nada fácil para ser resolvido. Expressou-se bem o primeiro-ministro israelense, Benyamin Netaniahu, quando disse: “…se os árabes se desarmarem, acaba a guerra; se Israel se desarmar, acaba Israel”.

    Enfim, antes de admitir um estado palestino, é preciso que os palestinos admitam um estado israelense e dê condições para acordos de paz – e isto se dá somente através de uma forma: abandonando o terrorismo que não é e nunca foi um movimento político aceitável.

    Saudações,
    Ronald

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Free Gilad

Gilad Shalit (Nahariya, 28 de agosto de 1986) é um soldado israelense capturado em Kerem Shalom na Faixa de Gaza por militantes palestinos em 25 de junho de 2006.

Gilad Shalit é refém do Hamas há mais de mil dias.
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