May
28
As notícias que chegam ao Brasil sobre o Oriente Médio, salvo a coluna do jornalista Nahum Sirotsky no IG, resumem-se em organizar um apanhado do que informam as agências de notícias sem aprofundar em temas mais espessos ou mesmo vinculando as notícias com o contexto histórico das quais elas correspondem. A impressão quando se lê o que se publica no Brasil sobre os conflitos na Faixa de Gaza por exemplo, é que bastaria Israel devolver os territórios ocupados na Guerra dos Seis Dias que a paz reinaria absoluta na região. A mentalidade não poderia ser mais pueril.
Os problemas em relação à Palestina iniciaram ainda no mandato inglês, após a dissolução do Império Otomano no final da Primeira Guerra. Os judeus já imigravam para a Palestina com a idéia de estabelecer um estado. Esta imigração aumentou após a Declaração de Balfour, em 1917, que era um parecer favorável do governo inglês ao estabelecimento de um estado judaico na região. No entanto, também crescia um sentimento nacionalista entre os palestinos, mas diferente da coesão sionista, havia diversas correntes políticas com objetivos contraditórios. Ainda assim, grande parte dos palestinos não viam os judeus como inimigos e passaram a vender terras e trabalhar juntos para o desenvolvimento de um estado. Por outro lado, outras correntes, lideradas por Mufti Haj Amin al-Husseini, viam os sionistas como intrusos e consideravam traidores os palestinos que vendiam suas terras ou estabeleciam negócios com os judeus. Al-Husseini acabou por declarar uma jihad contra mais da metade da população palestina.
Anos se passaram entre agressões mútuas, mas ainda há hoje alguns poucos palestinos dispostos a viverem em paz ao lado dos israelenses. Principalmente àqueles que sofrem com a tirania do Hamas, que, segundo o Human Rights Watch, desde que chegou ao poder, massacra seu próprio povo. Porém, a questão mais importante é que os grupos que governam a Palestina ainda pretendem a dissolução do Estado de Israel como pré-requisito para a instauração de um Estado Palestino. Para o Hamas e o Hezbollah, não existe a solução dos conflitos com dois estados, como pretende o plano do presidente B. Hussein Obama. Eles querem um estado único.
Assim, tenta-se resolver o conflito de forma unilateral. E ao passo que o governo israelense se propôs a retirar colonos judeus de alguns territórios ocupados em 1967, na Guerra dos Seis Dias, os grupos que governam a Palestina não retrocederam um milímetro em seus objetivos de destruir o Estado Judeu. Tampouco abandonaram o terrorismo como ação política, embora muitos acreditassem – o presidente George W. Bush incluso – que com a ascensão ao poder político, o Hamas abandonaria as armas.
Mas há quem acredite que o Hamas e o Hezbollah são movimentos políticos legítimos. Ignoram o fato de existir palestinos que não coadunam com o terrorismo e que, como àqueles que lutaram ao lado dos sionistas contra o extremismo de al-Husseini, são considerados traidores e sofrem perseguições.
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Comentário
Uma Resposta para “Os palestinos que renegam o terrorismo são traidores?”
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Verdade, a gente recebe notícia daquelas malpassadas… quando são aproveitáveis, são requentadas.
Mas o Sirotsky manda bem!
Faz tempo que não nos falamos. Eu sumi.
Uma correria… Enfim…
Abraço!