May
22
“Deus contemplou toda a sua obra, e viu que tudo era muito bom.”
(Gênese 1-31)

Discursando no último CPAC, que é a “convenção” anual do partido Republicano dos Estados Unidos, o radialista Rush Limbaugh, concluiu: “nós, os conservadores, amamos pessoas”. E esse amor se dá quando se admite o outro como indivíduo, como alguém que tem algo valioso a oferecer a todos nós; alguém que detém potencial para fazer o melhor possível naquilo que ele mesmo escolher para a sua vida.
Talvez seja por isso que esse pessoal mais moderninho acredite ser um insulto quando, rangendo os dentes e espumando de raiva, nos chama de reacionários. Sim, barbudinho, se reacionário quer dizer manter a ordem natural das coisas e admitir no indivíduo a capacidade de escolher o que é melhor para a sua própria vida, eu não tenho dúvidas: sou um reacionário e, diferente de você, eu amo e respeito as pessoas.
Na verdade, é isto. Nós conservadores não queremos decidir o que você deve ou não fazer. Queremos apenas conservar o que é fundamentalmente melhor para que cada um possa decidir as coisas por si mesmo. Porque nada é mais repugnante do que alguém ser impedido de fazer o que quer que seja, simplesmente porque um imbecil se achou no direito de determinar que somente ele tem consciência própria para tomar decisões. Nada é mais estúpido e desrespeitoso do que escolhas pessoais serem tomadas no âmbito coletivo, que no final das contas é apenas um desejo tirânico de controlar a vida alheia. Ludwig von Mises dizia – e é a mais pura verdade – que não é o Estado que é soberano, mas sim o povo. E o privilégio do soberano é poder fazer as escolhas que mais lhe aprazem. E nisso está incluído o direito de ser tolo. Sim, porque eu poderia listar aqui um milhão de ações que são prejudiciais ao ser humano, mas de forma alguma eu poderia obrigar os outros a fazer determinadas coisas apenas porque são àquelas que eu faria no lugar deles. Aí reside a diferença entre escravidão e liberdade, senhores. Um indivíduo só é livre quando tem a possibilidade de escolher o seu próprio destino.
Claro que não estou aqui a defender a liberdade irrestrita. Pois a liberdade não é um fundamento, mas apenas um atributo da existência. Ainda assim, mesmo as idéias contraditórias partem de conceitos fundamentais compartilhados coletivamente e que se expressam de forma natural e auto-evidente. É assim que se dá a formação de um povo. Já uma nação, um estado, torna-se inevitável quando tais fundamentos compartilhados por indivíduos correm risco iminente de serem destruídos por imposições autoritárias.
Ser conservador é apreender a realidade e perceber que o que diferencia o homem de um animal qualquer é a o ato intrínseco de pensar e decidir. Assim, um planejamento estatal no que tange às iniciativas individuais é pura tirania. Conceber que um burocrata qualquer decida o que uma pessoa ou todo um povo deva fazer – por acreditar, claro, que somente ele tem discernimento para separar o bom do ruim – é flertar com o autoritarismo puro e simples. É enxergar uma pessoa como uma partícula de uma massa coletiva a ser adestrada nos desejos arbitrários de um alto-intitulado ser superior que nega aos outros o livre-arbítrio, por achar que é algo inato somente a ele.
Portanto, de qualquer forma, somos livres para fazer o que bem entendemos da nossa existência. E é aquele barbudinho engajado que, inimigo da liberdade alheia, deseja ardentemente controlar as nossas vidas. É ele o primeiro a dizer que eu e você somos incapazes de decidir o que quer que seja. E o intuito nada mais é do que destruir todo o potencial humano existente em cada pessoa apenas para tornar possível o seu projetinho pessoal de poder.
Quanto tempo ainda precisamos para descobrir que o mundo não precisa ser mudado? Que ele está aí cheio de coisas boas e oportunidades para que cada um possa superar a si mesmo e tornar-se um ser cada vez melhor?
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A transcrição na íntegra do discurso (em inglês) de Limbaugh, aqui.
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Comentário
Uma Resposta para ““Nós, os conservadores, amamos pessoas””
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É engraçado como uma das primeiras reações da esquerdalha diante de discursos de direita, conservadores ou reacionários é, precisamente, aplicar o rótulo — como se o rótulo tivesse mais importância do que os conteúdos em pauta.
Engraçado também como essas pessoas aplicam o rótulo com o mesmo apetite que se esquivam de qualquer classificação ideológica nelas mesmas.
Freud deve explicar.