May
20

Obama enfatiza seu compromisso com a idéia da criação de um estado Palestino. Netanyahu reafirma que Israel quer viver em paz lado a lado com os palestinos, embora não tenha cogitado a possibilidade da criação de um estado – e é sabido que é totalmente contrário à retirada das tropas israelenses das fronteiras de 1967 sem algum compromisso efetivo com a paz por parte do Hamas e do Hezbollah.
Mas em verdade, há ainda uma questão sem resposta nessa discussão: quem governaria um estado Palestino? Mahmoud Abbas já não dispõe de autoridade alguma, enquanto o Hamas impõe uma ditadura jihadista com a ajuda da Síria, do Hezbollah e Irã.
O grande problema é que não existe mais um movimento nacionalista palestino legítimo e compromissado com a paz e o mínimo que seja de democracia – como houve entre 1917 até a criação do estado israelense em 1948. Os nacionalistas palestinos moderados, que não viam problema em compartilhar e até vender suas terras para os judeus, hoje são considerados traidores. Portanto não há possibilidade de uma convivência harmoniosa entre israelenses* e as lideranças palestinas atuais, que impõem como pré-condição o não-reconhecimento do Estado de Israel. Depois, já está mais o que na hora de encarar a realidade de que o povo palestino sofre muito mais com a ditadura do Hamas do que com qualquer revide israelense aos ataques com mísseis Qussam.
Outro ponto importantíssimo, que ainda repousa no fundo de em alguma gaveta na sala oval, é o posicionamento definitivo do governo Obama quanto ao programa nuclear iraniano. Como já abordei aqui, não se trata somente de uma ameaça a Israel, mas a todo o mundo islâmico e, principalmente, países como a Arábia Saudita, Egito e a Jordânia, que mantém relações amigáveis com os Estados Unidos, e expressam muita preocupação com a possibilidade de serem intimidados por uma ameaça nuclear iraniana.
Há muita gente achando lindo o fato de Obama ter enrolado o primeiro-ministro Netanyahu, que foi ao encontro na Casa Branca com pautas muito bem definidas, mas, embora tenha sido recebido com uma conversa muito amigável, cheia de sorrisos, chá e bolachas, ficou longe de discutir alguma ação prática que possa começar a resolver os problemas que afligem o Oriente Médio.
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* Sobre o assunto, leia Army of Shadows de Hillel Cohen.
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