Acho até que demorou para transformarem o bate-boca no Supremo em uma luta contra o racismo. O site Terra Magazine deu o pontapé inicial para este tipo de justificativa ao comportamento indecoroso do ministro Joaquim Barbosa. Em entrevista a Claudio Leal, Abdias do Nascimento, teatrólogo e  considerado o pioneiro do movimento negro no Brasil, afirma que há um certo incômodo quanto a existência de um ministro negro na Suprema Corte e que, “houve, sim, um viés racista naquela maneira que o presidente do Supremo respondeu a ele [ministro Barbosa], logo no começo da discussão.”

Aí já virou palhaçada. Contudo, a parte mais cômica dessa quimera é que até os bate-bocas no Supremo tem todo um ar formal. Revendo o vídeo da discussão eu confesso: desejava ardentemente que os ilibados ministros partissem para a troca de insultos com palavras de baixo calão, enquanto o ministro Marco Aurélio lembrava, em meio aos palavrões: palavras de baixo calão não coadunam com a liturgia do Supremo!

Prato cheio pros Cassetas.

Na época da ofensiva israelense em Gaza, muita gente se dizia preocupada com a população palestina. Mas era mesmo tudo de mentirinha. Ninguém – imprensa inclusa – parece ter dado importância para um dos últimos relatórios do Human Rights Watch contendo testemunhos de que o Hamas continua aterrorizando a população em Gaza. Num deles, um jovem diz que “cometeu um erro” quando criticou o Hamas numa conversa na rua. Devido às críticas, homens armados e encapuzados invadiram sua casa e o levaram para uma área isolada. Foi baleado três vezes na perna e nos tornozelos. Segundo o jovem, o Hamas paga pessoas para que delatem as criticas em conversas de rua. [CONTINUE LENDO]

Houve mais um bate-boca entre os ministros do Supremo, Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa. E algo está além da falta de decoro do ministro Barbosa. Temos no Brasil a instituição do juízo moral. As pessoas deixam de lado suas atribuições legais pretendendo dar lições de moral ao País. Que discutam a moralidade num jantar ou num happy hour. No plenário do Supremo eles devem julgar os processos à luz da Constituição.

Sempre ví como um problema grave a transformação das sessões do Legislativo e do Judiciário em shows midiáticos. Embora estas tevês institucionais nos custem fortunas e sequer tenham espectadores, todos eles sabem que um bate-boca ou uma declaração polêmica pode ganhar vulto na internet ou em programinhas de fofocas.

Enquanto os processos se acumulam, a briga de egos torna-se fenomenal.

Um dos pontos mais discutidos na época da criação da Constituição dos Estados Unidos foi a possibilidade da tirania de um governo central. Pretendia-se evitar algo como a violação dos direitos civis imposta pelos ingleses durante a luta pela independência. Assim, criaram mecanismos para imunizar o indivíduo do coletivismo e proclamaram a soberania dos estados perante o governo federal a ser criado. Tal governo federal nada mais seria do que uma entidade representativa dos interesses mútuos dos Estados perante a outras entidades internacionais. E também uma espécie de fórum independente para equacionar interesses e conflitos internos distintos. Por isso o pacto federativo estabelecido pela Constituição norte-americana trata apenas de princípios a serem seguidos pelos Estados. Já a legislação positiva e organizacional é definida pelas normas fundadas nos fatores histórico-culturais e regionais de cada um dos federados.

Já no Brasil a concepção de governo federal adquiriu a forma contrária. Desde a época da Independência, os esforços se deram à manutenção de uma unidade nacional em meio a tantos levantes separatistas. Os fatores históricos-culturais de todas as mudanças fundamentais até a proclamação da República rondaram a idéia de unidade, da manutenção territorial do país, fazendo com que o poder fosse totalmente centralizado na figura de um ente supremo. [CONTINUE LENDO]

Entre outras coisas importantíssimas – como, por exemplo, toda essa conversa diplomática dar tempo para que Ahmadinejad conclua seu projeto nuclear -, diz Hagai Segal, no diário israelense Ynetnews:

“Em quase todos os discursos ou entrevistas, Obama declara que procura uma mudança de atitude no relacionamento entre os Estados Unidos e nações árabes. A impressão inevitável dessas declarações é a suposição da culpa americana.

Oito anos após os planos de Bin Laden terem causado a derrubada das torres em Manhattan, Washington está se convencendo de que os terroristas não atacaram a América sem nenhuma razão. Washington começa a acreditar que algo sobre sua própria conduta causou aquele ataque terrível: o imperialismo, a arrogância, coca-cola, McDonald’s, e naturalmente, o pecado da amizade com Israel.”

Este é o resumo da nova política exterior dos Estados Unidos, pelo menos no que tange ao Oriente Médio. Passa-se a aceitar a negociação com apoiadores do terrorismo. E com isso, admitir o terror como meio político legítimo.

Próxima página →

..................................

Gilad Shalit (Nahariya, 28 de agosto de 1986) é um soldado israelense capturado em Kerem Shalom na Faixa de Gaza por militantes palestinos em 25 de junho de 2006.

Gilad Shalit é refém do Hamas há mais de mil dias.
Rodney's Search Widget plugged in.