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“Aqui, onde o Estado é ausente!” Esta frase já é obrigatória nos programas jornalísticos e conversas de botequim. É só mais um daqueles termos não-significativos que pautam a vida das pessoas “esclarecidas” – que é outro desses termos.
Seja lá o que for “Estado ausente”, isso não quer dizer que ele não exista. E seguindo nesta premissa chega-se à conclusão de que, se os estados brasileiros nos custam 40% de toda a riqueza produzida no país, suas ausências são independentes dos recursos. Logo, a palavra ausência pode ser facilmente substituída por inutilidade. O Estado, então, é inútil por mais dinheiro que seja destinado a ele. Isto é o que a Fiesp não tem coragem de assumir quando reclama da alta carga tributária. Principalmente quando pretende justificar sonegações de impostos ou mesmo a promiscuidade com partidos políticos que se dizem na oposição à idéia de altos tributos, quando foram estes mesmos que criaram o cenário absurdo em que as pessoas têm de trabalhar 5 longos meses somente para pagar os impostos anuais.
Toda a classe política é inimiga da Fiesp. E se a idéia da Fiesp, em essência, é (ou deveria ser) o desenvolvimento da econômia do país para produção de mais riquezas – ou mesmo o tão demonizado “acúmulo de capital” – então, toda a classe política é também inimiga do Brasil.
Os gastos governamentais não advém de uma produção de riqueza governamental. Assim, quando se transfere a terceiros o capital de quem a produz, cria-se uma demanda por produtos e serviços. Mas a oferta continua inalterada por falta de poupança destinada a novos investimentos. Em outras palavras: uma empresa deixa de investir numa nova tecnologia que aumente a produção, porque não consegue acumular capital para novas máquinas, matérias-primas ou contratação de mais funcionários. Produzindo menos, o custo unitário de um produto é maior. E agregando mais valor a um único produto, o total da riqueza criada é relativamente menor – e ainda se concentra neste único produto, não permitindo que ela se divida a outras pessoas.
Há quem defenda ter coisa melhor a se fazer da vida do que discutir assuntos políticos. No entanto, a política define os parâmetros da nossa liberdade. A relativa e gradual perda da liberdade exclui os outros assuntos mais interessantes para se discutir. E aí está o erro dos empresários brasileiros. Aceitam uma realidade alheia à liberdade de produzir mais riqueza em troca de uma promiscuidadezinha que, mesmo rentável a curto prazo, não gera nenhum valor. Ainda pior é justificar a sonegação fiscal como um bravo ato de sobrevivência das empresas. Ambas são verdadeiras covardias para encarar um problema compartilhado com a grande maioria da população economicamente ativa. Ou seja: o desgosto em pagar impostos tendo a certeza de que esse dinheiro, acumulado em 5 longos meses de suado trabalho, poderia ser muito melhor empregado ao invés de se perder financiando o Estado.
A despeito dos cidadãos pagadores de impostos, os empresários ainda têm um certo poder político. Resta a eles decidirem se querem um país mais propício ao desenvolvimento econômico; ou continuar nessa perigosa e promíscua aventura em que o custo de oportunidade é estar totalmente exposto a uma investigação da Polícia Federal, que pode resultar em alguns dias de prisão e, outros tantos de trabalho, gastos com despesas advocatícias.
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Um parênteses para os desavisados estatistas que às vezes aparecem por aqui a expressar seus repúdios ao acúmulo de capital: uma pessoa ou empresa que acumula capital, automaticamente adquire um padrão de vida que exige mais serviços e produtos pelos quais têm de pagar e gastar um pouco deste capital acumulado. Isto gera mais empregos e outras pessoas podem também acumular capital para adquirir outros produtos e serviços, e assim indefinidamente.
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