Hoje em Israel a esperança é que Netanyahu mantenha suas posições e não cometa os mesmos equívocos quando foi primeiro-ministro em 1996 a 1999, negociando os territórios ocupados sem uma garantia de que cessassem as hostilidades árabes-palestinas à Israel. No entanto, o cientista político da Universidade Hebraica, Yaron Ezrahi, lembra que “ele não hesitaria em sacrificar uma posição ideológica para se manter no poder”.

Ainda na época das eleições, Tzipi Livni parecia ter certa a sua indicação, mas declarações infelizes sobre a divisão de Jerusalém e a retirada das tropas das fronteiras de 1967, fizeram com que ela perdesse novamente a oportunidade de se tornar a primeira-ministra. Por mais que digam que a ofensiva em Gaza tenha decidido a eleição, foram os acontecimentos dos últimos anos, principalmente o efeito contrário à retirada dos judeus das colinas de Hebron em 2005 pelo então premier Arial Sharon – que ao invés de um incremento à paz, culminou no fortalecimento do Hamas e da ofensiva terrorista – que fez com que os israelenses vissem como única saída uma postura mais defensiva e menos diplomática. Não à toa que o grande vencedor da eleição tenha sido Lieberman com seus discursos nacionalistas.

Uma iniciativa de paz deve começar com uma declaração pública – e atos que a comprovem – dos palestinos quanto à aceitação da existência do Estado de Israel. Pouco irá influir para os fins dos conflitos as retiradas das tropas das fronteiras de 1967 ou a divisão de Jerusalém. O que certamente seria algo perigoso para à manutenção da defesa do estado israelense.

No entanto, alguns passos de Netanyahu estão sendo dados contrários às promessas de campanha. Ele já aprofunda uma relação com a oposição e isso pode significar ceder alguns pontos alheios às pretensões do Likud. Já uma pré-disposição com a administração Obama, pode ter como pré-requisito a retirada das tropas israelenses da fronteira de 1967 e a divisão de Jerusalém para a criação de um caótico Estado Palestino.

Dizem que depois da má experiência de 1996-1999, Netanyahu amadureceu. Mas essa coisa de esperança e mudança sempre acabam desembocando numa empulhação.

Se é para ter esperança em alguma coisa, esperemos, sinceramente, que eu esteja totalmente errado.

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Free Gilad

Gilad Shalit (Nahariya, 28 de agosto de 1986) é um soldado israelense capturado em Kerem Shalom na Faixa de Gaza por militantes palestinos em 25 de junho de 2006.

Gilad Shalit é refém do Hamas há mais de mil dias.
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