A conversa agora é baixar os juros para ajudar a fechar as contas públicas. Mas a poupança será (e já é) um empecilho para reduzi-los abaixo de 10%. Pois a caderneta de poupança rende a Taxa Referencial (que garante remuneração mínima de 0,5% ao mês) + 6% ao ano, livres de impostos ou deduções no Imposto de Renda. Já os títulos públicos, ações e fundos, com a queda na taxa Selic, tornam-se investimentos ainda menos rentáveis do que já são depois da queda livre das bolsas.

Assim, com uma redução da Selic abaixo dos 10% haveria uma debandada para a poupança que é o investimento com melhor remuneração. O rendimento acumulado da poupança em 2007 foi de 7,7%, já o de 2008, 7,9% – lembrando que é livre de impostos e dedução no IR. Quem será o louco de apostar numa possível recuperação do mercado financeiro com uma queda na taxa de juros para menos de 10%, com a possibilidade de um rendimento acumulado mais baixo do que a poupança?

Na lógica, então, essa mudança de regra pretendida pelo governo – que jura que é para proteger o pequeno investidor -  nada mais será do que reduzir o cálculo e transformar a poupança numa tremenda roubada para forçar uma procura maior dos títulos e fundos – e jogar o povão no crédito fácil e endividamento certo.

Lembremos, pois, que no dia 6 de março de 2007, o Conselho Monetário Nacional mudou o cálculo da TR para reduzir a rentabilidade da poupança, que naquela época já era maior do que os fundos de investimento e do FGTS. É o que se pretende novamente. E mais uma vez o poupador vai perder dinheiro, a exemplo do Plano Bresser, Plano Verão, Plano Collor I e II, que descumpriram a lei que garantia a correção da poupança.

Há quem questione o porquê de ao invés de reduzir os rendimentos da poupança, não diminuir a incidência de impostos nos investimentos em ações, títulos e fundos. A resposta é que a dívida pública aumenta assustadoramente e a previsão do PIB é de retração. Isso tudo diminui a arrecadação e aumenta ainda mais a dívida pública.

A saída mais prática e óbvia seria um corte radical nos gastos – aliás, o que todo o governo sério está fazendo. Mas ano que vem tem eleições e nenhum governante quer abrir mão dos gastos eleitoreiros.

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Comentário

3 Respostas para “Vão mexer na sua poupança”

  1. Christian em March 17th, 2009 7:12 am

    O que mais me preocupa nisso é que Lula tem de sobra algo que o Collor não tinha: aprovação. Até as vozes mais populares, que costumam criticá-lo aqui ou ali, no fim das contas terminam por aprová-lo.

    O Nove Dedos pode fazer o que quiser — inclusive mexer na poupança — e ninguém vai reclamar.

  2. Patricia M. em March 17th, 2009 2:16 pm

    Diogo, nao acho que eh so isso, para variar eh palavrorio vazio do governo sem um estudo por tras.

    Eh o dinheiro captado na poupanca que financia o credito imobiliario nessa droga de pais. Alguem ganha TR de um lado porque outro alguem paga TR de outro. Ninguem esta tocando nesse ponto.

    Eu na verdade sou totalmente a favor da liberalizacao geral: deixa os bancos (o mercado no caso) decidir quanto vai pagar de remuneracao na poupanca, e deixa o mesmo mercado decidir quanto vai cobrar em emprestimo imobiliario.

    O equilibio nao-natural no sistema financeiro brasileiro eh finissimo.

  3. conhecimentosp em April 23rd, 2009 8:18 am

    Este é um assunto que ainda vai dar muito o que falar. Mas a verdade de tudo é que a economia vai mal, os politicos não olham para o umbigo, para com isso reduzir os custos da divida pública e gerar receitas para com isso deixar de onerar opções de investimento cuja finalidade deveria ser financiar projetos que visem o desenvolvimento do país como um todo. Gerando riqueza e renda. Vide relação investimentos e despesas publicas que vaõ entender o que estou dizendo. E a luta continua companheiro. :)

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Gilad Shalit (Nahariya, 28 de agosto de 1986) é um soldado israelense capturado em Kerem Shalom na Faixa de Gaza por militantes palestinos em 25 de junho de 2006.

Gilad Shalit é refém do Hamas há mais de mil dias.
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