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Diga um olá à crise
Postado em a rota do capital
Já são quase 1 milhão de empregos cortados nos últimos três meses. Segundo o IBGE, só em janeiro – que é época de crescimento com os postos temporários – o índice de desemprego subiu 8,4% – no setor que vinha melhor, a construção civil, o aumento das demissões giraram em 4,2%.
Alta no número de desempregados é recorde, mostra IBGE
Número de pessoas desocupadas subiu 20,6%, para 1,89 milhão. Mês de janeiro foi ‘cruel’, segundo o coordenador da pesquisa. Em apenas um mês, foram contabilizados mais 323 mil desempregados nas seis principais regiões metropolitanas do país.
A previsão do PIB para o quarto trimestre é de retração. Chutando de forma otimista, de 1,5% a 2%. Pode ser mais ou menos, cada um tem um palpite. O que não se discute é quanto ao PIB negativo em 2009.
Baixa na indústria já favorece PIB negativo em 2009
SÃO PAULO – A queda da produção industrial brasileira em dezembro, de 12,4% ante novembro, foi considerada dramática pelo mercado. A baixa, divulgada hoje pelo IBGE, superou as previsões mais pessimistas e já contamina as projeções de economistas para este ano, agora negativas.Alguns economistas já mencionam que o chamado “carry over” (herança estatística) de 2008 para 2009 seria negativo em 16% no setor industrial. Isso equivale a dizer que se a produção industrial ficasse estável durante todo este ano, sem nenhum crescimento sobre o nível do fim do ano passado, a atividade já teria baixa de 16% ao final de 2009.
(…) o dado divulgado hoje já reforça uma previsão negativa para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano. (…) o PIB em 2009 deve ficar negativo em 0,4% (perante variação nula prevista antes) e crescer 5,2% no ano de 2008, menos do que os 5,5% estimados ate então.
Já a previsão de Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Gradual Investimentos, para o PIB do país neste ano passou de 0,8% de alta para 0,5% de queda. O PIB de 2008 foi revisto para 5,5%, com retração de 2,2% entre o terceiro e o quarto trimestres.
O Serasa divulgou que aumento a inadimplência (28,9%) no setor empresarial. Isso pode ser reflexo da falta de crédito e retração do mercado consumidor.
O governo está torrando as reservas para segurar o câmbio – uma hora acaba ou a crise ou as reservas. Além disso, vai endividando o já deficitário Fundo de Amparo ao Trabalhador para financiar um capital de giro fictício no mercado de automóveis (foram 200 milhões do FAT só em fevereiro). Agora corre-se o perigo disso virar outra bolha de inadimplência, porque vai ter gente comprando carro e empurrando as prestações para um futuro de incertezas e depressão econômica.
Porém, o mais importante é considerar a crise na produção mundial, divulgada pela Economist e discutida no post anterior. Quedas drásticas na produção representam alta de estoques devido a falta de consumidores. E o resultado é desemprego. A Economist ainda chama a atenção para a baixa nos preços das commodities, que acarreta no prejuízo às exportações – e o Brasil é um desses países que equilibram contas com bons números do comércio exterior.
Enfim, a crise já chegou, diga um olá a ela! Lula e Mantega não querem recebê-la, afinal tem eleições ano que vem. Já a imprensa acredita ingenuamente que o seu papel cívico seja, talvez, manter a confiança no mercado divulgando só coisas boas – como um aumento na venda de carros inflada pelo financiamento estatal. Falando em gastança governamental, lembremos do déficit fiscal e a dívida pública – que serão sanadas nos próximos anos pelos “contribuintes”.
Com o fim da época de crédito fácil e mercados inflados artificialmente, chegou a hora de fazer poupança para saldar a dívida que os governos estão fazendo – e por aqui fará até às eleições.
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