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Alguns consultores e economistas defendem que a palavra crise é “forte demais” para ser usada em relação à economia brasileira.
Claro que a crise é lá do sub-prime norte-americano. Hoje o único problema no crédito brasileiro é um abrupto aumento da inadimplência nos primeiros dois meses do ano. No entanto, a crise é global e somos atingidos pelas suas “marolinhas” que rendem alguns milhares de empregos a menos. E a tendência é piorar com uma iminente crise na produção mundial, que já dá sinais, segundo uma matéria publicada na semana passada retrasada pela The Economist.
Embora seja um setor de muita volatividade, a produção industrial no último trimestre caiu 6,8% na Alemanha. Já em Taiwan, 21,7% e o Japão 12%. No Brasil a média nacional foi 12,4% - em São Paulo, o maior parque industrial do país, as perdas chegaram a 14,9%.
“A indústria está desmoronando na Europa Oriental, bem como no Brasil, na Malásia e também na Turquia. Milhares de fábricas no sul da China estão sendo abandonadas e seus trabalhadores estão voltando ao campo desde o começo deste ano”, diz a matéria da The Economist.
A revista ainda faz uma pergunta intrigante: o que os governos poderiam fazer a respeito [da crise industrial]? O grande problema é que após a nacionalização dos Bancos, a simples idéia de nacionalizar empresas (passando o controle acionário a um governo) é assustadora. Uma economia nos moldes soviéticos, com o Estado assumindo os meios de produção, a catástrofe já fica anunciada.
Neste momento a tendência é o mercado consumidor retrair. Por conseguinte, as atividades empresariais têm seus gastos diminuídos juntamente com a produção. Menor produção configura-se, além de preços mais altos, com mais desempregos (e menos riqueza com retração do PIB). Já os países que têm a exportação como setor com grande impacto no Produto Interno Bruto tendem a sofrer mais com a crise de crédito que passa a infectar a produção mundial. No Brasil o agronegócio espera dias difíceis já a partir deste ano.
No link do primeiro parágrafo, Stephen Kanitz (que é um dos melhores colunistas econômicos atuais) defende que não há crise no Brasil, citando como exemplo o fato de “mais pessoas viajaram internamente [no Brasil]. (…) houve um aumento de 9% da aviação interna e menos 7% da aviação externa”. Para ele o incremento dos números no turismo podem ascender o PIB ainda em 2009.
É muito preocupante ver um sujeito tarimbado como Kanitz transbordando otimismo em meio a tantas demissões e retração industrial. Como um setor que representa míseros 2,23% do PIB pode trazer esperanças a um ano que já começou perdido em déficits fiscais e uma estrondosa ascensão das dívidas públicas?
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