Cuba, a ilha que parou no tempo, vive seu pior momento desde a chegada de Fidel e os comunistas há 50 anos. Neste meio século a situação da ilha nunca foi boa e, no fundo do poço, houve quem duvidasse que um dia poderia ficar ainda pior. Já não era o bantante um seqüestro coletivo e cárcere de milhares de presos políticos, assassinatos no el paredón, jangadas de fugitivos rumo a Miami e as vergonhosas cadernetas de calorias? Não! Os barbudinhos da Sierra Maestra queriam mais e com a queda da União Soviética, a ilha teve que passar a andar com os próprios pés. Não andou. Hoje o salário médio na Ilha é menos de 50 reais por mês. “A desigualdade social foi duplicada”, garante o economista cubano Óscar Espinosa. São as benesses do comunismo.

Falam dos seus excepcionais índices educacionais. Porém, embora declarem à Unesco gastos percentuais equiparados a países com educação calamitosa como o Brasil, os números cubanos aparecem apenas um pouco pior. Mas trata-se de estatíticas de um país ditatorial. Estudantes cubanos sequer se classificam no ranking dos testes de desempenho (TIMSS) aplicados pela Unesco. Já os universitários não sabem quem foi Shakespeare, ou quem descobriu a América. Neste momento, os defensores de Fidel rangem os dentes e me perguntam se fui até lá. Eu não, mas nem eles. Quem informa tudo isso simplesmente vive lá! E vale lembrar que se trata de um blog coletivo que já foi retirado do ar mais de uma vez pelas autoridades repressivas cubanas. O que se ensina em Cuba é propaganda de governo.

(em Cuba)… profesores especializados en otras disciplinas que no se corresponden con las que imparten: debido a la actual carencia de docentes estos profesionales han sido obligados por instancias superiores a cubrir otras ramas para las cuales no están realmente preparados. Estos serios pedagogos soportan la más terrible carga, porque conocen su papel y reconocen su responsabilidad con más claridad que ningún otro grupo de profesores.

Já quanto ao sistema de saúde, basta dizer que um médico cubano ganha três vezes menos que o salário mínino brasileiro. Embora a imprensa insista em noticiar que Cuba tem o melhor sistema de saúde da América Latina, os gastos por habitante, segundo a OMS, é menos da metade ($251 dólares) do que se gasta no Brasil ($597 dólares). Ainda segundo a OMS, os maiores índices de mortes (provavelmente depois do paredón), são infecções por dengue, hepatites e diarréias. Nem Fidel confia nos médicos cubanos, prefere se consultar com um espanhol, José Luis García Sabrido.

No entanto, talvez o maior dos problemas cubanos, além do regime tirânico e da economia pseudo-planificada*, foram as opções econômicas desastrosas. Transferindo a iniciativa individual para os gabinetes dos burocratas que nunca plantaram um feijão no copinho, apostou-se nas lavouras em regiões e épocas inadequadas. Durante algum tempo, em contrapartida, havia a benevolência soviética. Mas a farra acabou e agora a culpa toda é, segundo a nossa imprensa, dos Estados Unidos, incrível. Porém, não contam que embora sofram com embargo americano, Cuba mantém relações comerciais com a China (27,5%), Canadá (26,9%), Holanda (11,1%) e Espanha (4,7%). As exportações de seus commodities (açúcar, níquel, tabaco, peixes, produtos médicos – as famosas vacinas que não prestam para nada -, frutas e café) geram receita líquida de $3,734 bilhões de dólares. Há ainda parcerias comerciais com a Venezuela, que fornece petróleo com permuta de serviços; e o Brasil, que negociou $ 412 milhões de dólares no ano que passou. Isto sem falar do turismo sexual, das ajudas humanitárias e dos milhares de dólares enviados por parentes que foram abençoados com a fuga da Ilha presídio – e sentem-se obrigados a sustentar seus entes queridos que não tiveram a mesma sorte.

Lula andou dizendo que o embargo não tem base política, nem ética ou moral.  Poderia ir estudar um pouco. Tudo começou com os Estados Unidos negando ajuda militar a Fulgêncio Batista para conter os revolucionários liderados por Fidel. Eis que no poder, e Che Guevara já tendo fuzilado 15 mil cubanos dissidentes, iniciou-se uma nacionalização que usurpou as propriedades privadas, muitas delas pertencentes a norte-americanos. Em resposta, o Congresso dos Estados Unidos aprovou uma medida que visava a redução da importação de açúcar cubano. Assassinos natos, os barbudos revolucionários de Sierra Maestra resolveram escancarar de vez a ligação com os homicidas soviéticos, que passaram a sustentar a Ilha em troca de usá-la como propaganda comunista, além de trazer o Kremlin para o Continente Americano. Em suma: Fidel virou um assalariado da burguesia socialista.

Já em 62, Kruschev decidiu instalar mísseis nucleares na terra caribenha que havia arrendado. Essa afronta quase desencadeou uma guerra nuclear entre russos e americanos. Em 63, aprovou-se, nos Estados Unidos, o total embargo econômico a Cuba.

Nos últimos 50 anos, Fidel privou o povo cubano de liberdade e, óbvio, de uma vida decente. Moribundo, passou o comando ao irmão, Raúl, que também já havia substituído Che nos fuzilamentos no el paredón. Agora, sem a caridade do comunismo internacional, imploram o fim do embargo a B. Hussein Obama, ainda que não esbocem uma contrapartida. Poderiam começar libertando as centenas de dissidentes encarcerados; depois, estabelecendo liberdade política e eleições diretas. Enfim, um rascunho que seja de democracia.

Entretanto, o mito deste século é que a economia de mercado pode livrar os países de regimes ditatoriais. Assim se faz com a China, como pretexto para fechar os olhos às violações de Direitos Humanos. No entanto, a dita economia de mercado é nada mais do que uma economia do partidão. Afinal, o mercado é praticamente um monopólio estatal, assim como a vida dos consumidores.

Outro mito, este mais recente, é que é possível negociar paz e fim de embargos unilateralmente. Cuba apropriou-se indevidamente de bens de americanos. Depois, vendeu, por alguns rublos, a alma do povo cubano à peste comunista. Como legado, além de corpos fuzilados, deixou um povo miserável,  faminto e pelo menos três centenas de “prisioneiros de consciência”, eufemismo que a mídia chique arrumou para quem contraria a tirania dos barbudinhos.

Ora, eles têm que merecer o fim do embargo, não exigir.

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*pseudo por que numa economia planificada é impraticável o cálculo econômico, tornando-se impossível a sua aplicação. Assim, em Cuba, como na ex-URSS, há um capitalismo enrustido por detrás da cortina de ferro.

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Gilad Shalit (Nahariya, 28 de agosto de 1986) é um soldado israelense capturado em Kerem Shalom na Faixa de Gaza por militantes palestinos em 25 de junho de 2006.

Gilad Shalit é refém do Hamas há mais de mil dias.
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