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Pnin, de Nabokov – Cia das Letras, publicado em 1997 com tradução de Jorio Dauster.
Aberto aleatoriamente na página 126, narram os dois primeiros parágrafos da página:
O almoço foi servido na varanda cercada de tela. Ao sentar-se junto a Bolotov, Pnin começou a misturar o creme azedo na botvinia (sopa fria de beterrabas), onde tilintavam cubos de gelo cor-de-rosa, e retomou automaticamente a conversa anterior.
“Você poderá observar”, disse ele, “que há uma diferença significativa entre o tempo espiritual de Lyovin e o tempo físico de Vronski. No meio do livro, Lyovin e Kitty estão atrasados um ano inteiro com relação a Vronsky e Anna. Quando, numa noite de domingo em maio de 1876, Anna se atira debaixo daquele trem de carga, ela já tinha vivido quatro anos desde o começo do romance, mas para o casal Lyovin, durante o mesmo período, de 1872 a 1878, mal haviam passado três anos. É o melhor exemplo que eu conheço de relatividade na literatura”.
Pnin é um cômico professor universitário de literatura russa que, assim como muitos outros, imigrou para os Estados Unidos. É um verdadeiro outsider. E também incompreendido, não apenas pelos americanos como, principalmente, pelos compatriotas que melhor se adaptaram ao American Way of Life. Embora expresse uma bondade que beira à ingenuidade, os colegas e até à mulher a quem oferece seu amor mais puro, dedicam-lhe apenas crueldades e ironias, às quais ele se mostra indiferente – ou mesmo parece não perceber, quem sabe ignora.
Pnin é um daqueles personagens característicos da literatura russa pós-revolução de 17. Um sujeito íntegro e leal a seus princípios, porém constrangido por um exílio absolutamente necessário para a manutenção da integridade física e a liberdade dos pensamentos.
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